Botucatu me parece dourada, levemente amarela nesse final de tarde...mesmo com o ceu ainda azul...
poucas nuvens...o horario de verão incide,
venta leve.
deve ser o lugar onde moro, vejo os telhados feito escamas de barro, as casas, tudo tão longe.
eu deixo seguir os segundos...
pode ser as crianças do haiti, ou as crianças realmente pobres do brasil que me fazem sentir assim...
ou o amor que eu sinto por alguem que preferiu sorrir dizendo adeus. sem mais.
sem soma.
eu nao sei, mas que Botucatu esta levemente ventando e dourada e azul no final dessa tarde, esta.
fao/2010
posted by FAO CARREIRA 11:29 AM
![]()
as luas - fao/09
Das unhas
Das unhas que ela corta, e não pinta
pra quando o amor chegar não rasgar nada
alguma paz, o que surgir com intuição e excelência
Que do fermento lento do amor
os olhos de bronze e sol,
ornam em azul a linha de qualquer sombra
dentro das minhas costelas
Trançando qualquer palavra
Que se faz presente a luz
mesmo a noturna se acaso
flor
o cheiro escondido no abraço
meu leite derramado
no seu dorso
envolta
eu vento
no mês das águas
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:36 PM
![]()
pra esse corpo lasso que não sabe o voo - fao/09
TATUAGEM DE CHICLETS
Aproveito o horário de verão
a luz incide
e resiste a minha
O arco íris caiu direto no lixão
e o amargo dissolvera do amargo
e açúcar e o amor doce é doce de padaria
palavra decisa
mas sim sim distância
da árvore sem âncora do bar
entorno
tão delicada esteja
durmo encostado na parede gelada,
flâmulas, nada e pulmão
nem graça
e o sol nasce bonito, feito um novo rito
liga o interruptor
pra eliminar essa coisa rasa
essa coisa vasa
sorrateira feito um trovão
fao/09
posted by FAO CARREIRA 12:48 PM
posted by FAO CARREIRA 12:38 PM
![]()
traçando constelações - fao/09
SOLAR
Abre os poros
do seu corpo
e dessa mesa
afasta as estrelas pra passar
observa, tudo eleva
a trançar alado, até chegar ao fato
desabotoar sua blusa
entrar na cor que você usa
tocar
seu plexo
solar
fao/09
posted by FAO CARREIRA 4:12 PM
![]()
a prostituta - fao/96
AMOR NÃO SE PLANTA EM VASO
Dois dedos de esquina
Quimera era uma fruta fria
e o medo de mostrar a pele detalhe
da luz
os dentes sujos da tinta do vinho
O sexo em desalinho
como convêm
Sol com a luz do poste
Às vezes meus olhos ficam cheios
e sujos imundos
é quando vou pintar
desembaçador de pára-brisa
São seus dois brincos cor de tinta
Carimbo de mordida faz desenho
quase nada no que eu faço e
da saudade não se cobra o cento.
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:36 PM
OU NO PALÁCIO DOS INGÊNUOS
Iluminando um isto
Algum adjetivo perdido no seu jeito
Da draga dos olhos
Fazer por onde
Um cravo brando uma beirada sem canto
seu lento alento andar
Piegas até a última gota
o mínimo dos milímitros
retendo água e sorrisos do infinito
cansado de chegar
Um pouco
um pouquinho das estrelas
Suficientes pra encher sua bolsa de vaidades
Como se a noite fosse vaga
pras lágrimas estacionarem
uma a uma
Devagar
fao/09
posted by FAO CARREIRA 1:10 AM
![]()
o voo - J.Torres & Fao/09
LÉGUAS
Ia, nem pra ver
meus olhos
nem em pulso seu
Debatendo
A verdade que medra água de poça
seus pés
sem chinelas
refresca
Porém, livre do chá das suas horas
mentiras de cor das juras em sombras
eu vou
e no canto do olho
que verdura
do seu peito modificado
claro
Sublimado santo grávido
de cisnes e esterco trotado
Deslumbrante feito um não
em meu pescoço cravado
Me impus no avesso
e pra ti
esse lado da rua que não brota
Coração de passarinho explodindo
a cercania do quintal do seu gosto
Invadindo seu rosto
suave
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:14 AM
![]()
simples poça - fao/09
LEVE CANÇÃO
se for chorar só quando
chove
se for sonhar só quando
dorme
se for me amar só quando
descobre
os olhos
das pálpebras
pombos na mangueira
a flor das laranjeiras
seu suéter cor do éter
e descalços no quintal
leve
seu nariz quilha perfeita
no ar
fao/09
posted by FAO CARREIRA 11:34 PM
![]()
a noite, feito mobiles de um Calder barroco em um céu de bruma e Morphine - fao/09
NOITE
A noite é cega meu lírio
As léguas nos divisam
A noite e sua borda
e suas garagens carnavalescas equivocadas
As ruas sãomuito maiores que nossos olhos vãos
O vicio que nasce em pranto
A noite e suas dobras
As extremidades da saia
Sua cercadura
Fimbrias
Tira a faixa a bainha
Vou te contar
do rebordo da cratera
de onde eu posso estar
o filete sob o ornato oval
seu dorso
as ancas
depois da seqüela pétala esfria
o almoço por kilo
namorados no portão
um cílio guardado
os lábios rochosos
toneladas cântaros brancos
um que se phoda
depois o beijo
fao/04/09
posted by FAO CARREIRA 11:04 AM
![]()
fao/09
VIBRAFONE
A fome do santo esquálido
revirando arbustos procurando ervas, mostardas e anis
em um cemitério de auto móveis
dissolvendo o açúcar da saliva de todos
os beijos
escorrendo da calha a veia cava
sua
o macio da pele da moça
órfã da música que ilustra o dia
o risco da mosca na pia
o cabelo crescendo tão lento
onde o convite do impossivel resiste
a mão de alguem ornando seu braço
o verde e o vermelho cheios de alguma lembrança
ante o grito de dor que ninguém nunca vai ouvir
esparadrapo na ponta do dedo
apontando alguém partir
fao/09
posted by FAO CARREIRA 1:50 AM
![]()
DIABLO OK
Tarde é esquina pra noite
O vento fino
No nylon melindra
Revirando o lixo atrás de
Atrai estrela e
Limpa a bota
Pontuda na quina
Da calçada
A bosta
Não distrai
Auréola de batom
O atrito dos molares
Revirando os olhinhos
Lacrimejando os cilinhos
Na cava rasa da ruga decidida
Escorre o pesado da lua
Enroscados no portão
Costura a linha a mentira
Penumbra é atalho pra loucura
Penugem do colchão
Na virilha sua unha
As tardes sem lanternas
Do frescor dos potes
O contorno do sorriso ao tufo
A febre do trino
Figura te
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:22 PM
posted by FAO CARREIRA 11:31 PM
![]()
receita simples em L pra se criar raiz em nuvem de algodão - fao/09
aflora
e de flora ao seu céu
desbota esse seu céu
escuro
atravessando todo e qualquer sentimento
esse papel cru gris
até chegar no azul, perpendicular
colhe as frutas maduras que pendulam
afeitas
entre as pernas
e recolhe atrás da orelha essa mecha de cabelo
pra esse meu beijo que flutua na penugem
onde repousa um brinco
a morar
observa o lento crescer da raiz no algodão
na palma palavra carinhosa de todo gesto
da minha mão
a namorar
aflora
fao/09
posted by FAO CARREIRA 7:18 PM
![]()
fao/
Nº SIM
Inda a palavra não chegou a língua
A framboesa pendurada no canino
O campo ao fundo
Unto
A braçadas
Quinta de rua e viela
suspiro é uma virgula nova, uma avenida
No meu calcanhar em reviravolta
No seu antebraço sem adeus
fao/07-09
posted by FAO CARREIRA 12:53 AM
![]()
Anna Mariani
PÉ DIREITO
Alguma coisa é antes
que não o chão
poeira no faixo da luz da janela
alguma coisa é seus pelos do braço e das pernas,
alguma coisa é ontem
tinta de caneta
pé direito alto
olhar
alguma coisa é bebida forte
corpo estendido no lençol
Luiz melodia de manhãzinha e feira e ressaca colorida
Caneca no pão
Casco de navio
Casco de vidro
Casco de patada, longa e fria, azulejo azul
Banheiro antigo
Alguma coisa são suas mãos
Alguma coisa é simples feito a voz num quarto vazio
Botucatu escorrendo em chuva
na esquina da padaria vi um crime e todos os dígitos nos pingos
Seurat pontilha os finais da tarde
Genet do meu lado se esquivando de um bêbado e suas flechas
Cupidos degladiam com gárgulas insolentes
Sapato de couro, calça de linho, manga puída
Nos butecos das tardes de segunda chove lágrimas de algum deus sem medidas
Fao/09
posted by FAO CARREIRA 7:35 PM
MAIS PERTO
uma forma de sentir você mais perto
certo que vai chover lá fora, a tempestade se armando com trovões pra
assustar os homens da terra.
Me sinto só.
não pense que é tristeza, é só solidão, a que Maria Rilke se referia, quanto mais perto
de mim eu a sinto, a solidão, mais vejo os outros e a mim com clareza.
e eu vejo você doce e terna, descobri que te amo em um desses momentos, quando não
se espera o enlace da vida, tornando o sonho suspenso em
dia a dia
danço os dias
lentos
deito na minha cama de solteiro e penso em você
com verdadeira saudades
te amo
fao/07-9
posted by FAO CARREIRA 1:00 PM
![]()
fao/08
JOELHO DOS PNGOS MOLHADOS
capitulo - III
E ela levava consigo uma blusinha, cobrindo o pequeno corpo, mudando o modo do mundo um pouco,
em volta, bem pouco, entre as volutas do ar, ainda havia o cheiro de vingança e traição, traços, quase
imperceptíveis de perfume, perecível,
barato?
E no cessar do vento a chuva ruída cinzenta pingando, no cachorro dos olhos de mofo. E vinagre e sal
e braços e bagos enlaçados de adeus. Nos gigantes olhos desse desgosto sem queda.
deus.
Escovou os dentes seguindo o rabo da lua, procurando frestas nas juntas, foi dormir, como se dormir
fosse ato comum, simples intervalo na escuridão, quando tudo que insiste repousa, e a mentira é
uma cor que incide.
E murcha.
Espaço vago na solidão.
Depois.
Sol solar.
Às vezes há sujeira embaixo do armário, é o que viceja a preguiça alheia, doridas em toalhas
de papel. A vassoura não alcança, uma mentira nutrida pela idéia.
A boca.O suficiente pra mastigar crocodilos, a pele é, adjacência de outras tardes sem sol.
A janela de cubos, ao quadrado o soslaio se antecipa, o copo deitado na fronha, o criado mudo.
Sempre.
Trajetória do mastigar.
Arrombo de frases, das fases mornas, perito em desmentir, simular um atraso.
Quando se percebia no embaraço dos lábios a saliva grossa, o embargo dos olhos, dele.
Afogando-se freqüentemente no raso, costume de sair com asas na gola.
Me amedronto e vislumbro criando o quadro certeiro. Resolvido, do recheio mais doce, o ganha
pão do pobre e insone padeiro. Creme. O gorrinho branco.De algodão leva o afago da esposa e
esconde caspas. Não há mais nojo, nunca ouve, ouve agora, de dia de noite, os pássaros noturnos.
As músicas.
As ranhuras do elevador
ensaboadas as mãos cirúrgicas, nosso senhor.
Queda, pois o prego não suporta o peso da moldura.
Da janela ao sem grama, o que emana fende, talhe,
é a listra em que o sol insiste e brilha em níquel, baila a imagem,
qualquer das Marias.
Do pescoço ao osso, o laço parco a guisa da maré, a vida de ré,
da cor da canela que resiste.
Leve. Leva.
Creme dental. Pinta na testa do Hare.
Nas coberturas do centro, da tinta do cabelo que cheira e chispa a merda e amoníaco.
A mesma cor.
Púbis insone e é, pungente, redentor.
Léguas, lâmpadas de mercúrio, é cerveja nos punhos sujos.
Léguas dos isqueiros, uma cama de solteiro pra você
dormir em cima de mim.Costureira, deposto o que é fumaça,
aos flancos e barrancos exasperada, costumeira.
Tece um sonho sem solidão.
Pendurado num sonho sem escada
Eu tenho medo das marcas
Da estranha ginástica do mundo
O que sobrou pra ti, a porra, a sombra dos jasmins na ferrugem da lata.
Enviesado seu olhar de caramelo.
Alvenaria noturna.
Morder unhas polegar o resto da blusa a poeira doa altar.
Entro na rota de colisão, entre por essa porta e a parede, o dedo.
Os anjos de pêra atravessam a rua distraídos munidos de hóstias de um ocre quase febril
se não fossem farinha, o mesmo saco, o saco de um santo esquálido, em um frasco o úmido
da confusão e fuligem e amenos fogões, ao menos no pote tem frutas, mas estão quase podres,
natureza morta desde sempre, o que se espera.O que você espera? Ester, dos olhos largos.
Alem dos vergões abaixo dos olhos, lilases.
Você me pedia tapas na cara, te deixar coradinha.
Foi quando me feriu com aquela merda que comprou no um e noventa e nove, rasgando aos
pedaços a malha quente do meu peito.
- Coração.
O mínimo do lirismo já vem áspero, em cacos, estilhaçados lábios sempre rochosos às cegas,
no escuro o vacilo, a flor de sabão é veloz e a alegria é palavra feminina.
O que pé vertigem ruga.
O que é sangue suga.
É esta sua sede lépida que oscila, mais um beijo escondido a sombra da cortina e o disparate
na rádio AM Glórinha.
Tem lá seus contorcionismos, sapataria sobre o mesquinho, é o milímetro das toneladas.
- Coração.
fao/06-07
®
posted by FAO CARREIRA 12:58 PM
![]()
fao/08
JOELHO DOS PINGOS MOLHADOS
capítulo - II -
A face mais linda imaginada.
Eu olhei por cima dos ombros no canto do quarto aqueles sapatos marrentos, eu tive dó,
pena, eu tive verdadeira tristeza, aqueles sapatos bolorentos eram tão meus quanto os seus.
Encharcados, amiúde.
Os filósofos todos errados, nos meus momentos.
Perenes.
Mas.
Era preciso estar mais próximo, pra sentir o hálito, captar no estalo as diferenças, esqueça,
esqueça as tardias meninas, é preciso ir ao agora, o precioso do agora, no que se diz sem nome.
Ester.
Ainda mais que uma.
Os filósofos gregos todos corados, em seus momentos...
Algo que fosse, como o estalo dos dedos, menina, ou as luas deitadas de bruços sem cortinas.
Pra ver da retina à rotina, os dedos macios passando na virilha moça dos olhos apertados.
Mas.
- Tenha calma meu bem, não se vá, há tanto...Você pode esperar.Você pode.
- Mastiga seu chicletes com calma, é menta, né? Desvia os olhos das cinzas.
Ás vezes é impossível chegar perto de ti.É choroso o brilhante, é igual ao leite na soleira,
o solar na noite inteira.
Com o corpo morfino, é, lasca de prenha, é quase aprendiz, confortável como o recostar do
vigilante noturno no muro, que suga o acidente nas frestas dos dentes, em extase e quase feliz.
A única possibilidade da estrada, pele pra motor. E flor de plástico que se impõe em ríspido
lamento, vestígio pra isopor.
E super-nova, trompa e violão, e nova na mesma rotina, acorda, acorda. Limpa a velha botina no
projeto da esquadria.
O álcool não pode lhe apagar.
Da memória vulgar,...é só saudade.
Ou esqueça, tome a pelo avesso, reconheça a penúria na vontade, segue as listras, milhazes,
milhares. Não vomite a simples queixa, alumínio no que pende dos dentes, o sulco na virtude,
no que não desvencilha.
Algodão oscila no enquanto.
a manteiga no pão.
Então se foi, sofre sobre o tapete e os segundos, o que soaria estranho não fosse além do bocejo
um gesto, os passos lentos, o uniforme azul no ensejo nu.
E no tom da pele, o castanho traço, o resquício do almoço tardio, quase janta, brota uma planta,
nada, nada na palma da mão, além do passe de ônibus, os peixinhos na fronha, a anágua alagada.
- Não adianta.Esther dos olhos de cravos, não adiante o suspiro pra longe das montanhas,
da nossa varanda, do sabonete em que lavas as partes alvas, em fogo.
Era pra deitar, se distribuir, abrir-se em cor, tão leve tão só, qual o pranto, feito a calmaria em prato
fundo, as coisas que caem do céu sem notarmos. Devagar. Vãos.
Revirando Ester pelo avesso.
Dos volumes ao meio.
Dos seus seios.
O anzol negro mesmo brilha, cintila, é o avante dos rastros, é o piano mole, a tecladura insólita,
bate com força a porta e depois pede perdão, é a partícula mínima do lastro, onde a vela fumega
em chamas que fogem verdes, elásticas.
- Eu sei, você gostava tanto da minha dancinha dissimulada, feliz...
Te faria sorrir de novo pra te encher depois seu rosto de espanto, doce.
Ela fingiu que não ouviu, e emendou.
- A sopa da última noite estava ótima, uma delicia.Ela disse sem titubear, brilhando um resto de
lágrima dos olhos, o sorriso dos dentes, como se pudessem vir de outro lugar, o algo que paira
leve no ar, confidente, do rosto que é só leviano, montanhoso na planície dos ombros, belo e pronto.
Pra um beijo.
A sua predileção.Confetes, ora ocres, ora azuis, ora lívidos. Cotovelares.
digo gastos, dobradinhos pisoteados por tantos pares solidões de salões.
Então quando infantil tinha lá seus tubos de ensaio e misturas reservadas, injeções na terra,
nas veias imaginarias e então era velho e exato e tinha lá seus ensaios e misturas quase
concretas, esconderijo de papelão e veias azuis-sombra-de-mão.
Ora uma fruta perdida no esqueleto, ora uma fruta escondida, esguelha e vermelha de Ticiano.
Num arbusto, corruptela de medo, o que branda o gozo do relevo, é lã.
Adorno o que é respaldo, edredom noite adentro.Do silêncio aos pelos encaracolados.
Joelho dos pingos molhados.
desarranjo de flor
estrado da cama.
estende o varal, lilás é do outro lado, sua língua
de um outro açúcar.
inevitável.
fao/06-07
®
posted by FAO CARREIRA 12:55 PM
![]()
fao/08
JOELHO DOS PINGOS MOLHADOS
capítulo - I -
Varre a casa de três a quatro vezes por dia, eu posso ver, sutil, da fresta o resto de alegria, de cócoras,
arregaçado o vestido, esperando um pardal novo a cada centésimo do chão que esfria.
Ilustração de feira.
Petúnias na folhinha, o que era antes do meio, do raio que o parta, o dia, parcial sol, da janela o esgar,
fome.As migalhas misturadas ao pó pro quintal.
Alimenta um amor.
Sustenta um pouco as galinhas.
É fácil, quando não insignificante, remover montanhas estranhas, um amontoado de montanhas, de pele,
pó, planta ou de banha; os musgos, a palavra certa, é fácil, o sorriso serenava aos poucos, é difícil como
dedilhar arabescos, aos poucos, na vitrola o acento certo raspa perto donde formiga um pouco e a rosa
goza.
Digo, a flor.
Branca apodrecida sobre o avental, é ventania.
Veja bem, livre e sozinho feito um mosquito sobre o varal, vôo, lotação de janotas, encostado nas lajotas,
suas galochas negras e úmidas, esperando o vazio.
O próximo passo pra roça. Ou estar no rancho comum cigarro cerrado na boca.
O olhar perdido na poça.
- Eu posso esperar.
Pensou no declive cabisbaixo, Antonio Pi.
Ouvindo agora as gotas pesadas no telhadinho, que cobre parte da calçada pro resto do mundo.
Tão pesado quanto o ar, tão leve como o escarrado trajeto do padre até o canto do altar, é nojo e
vergonha, é relembrança e protuberância no saiote do velho, sangue suga e sua desvairada vontade,
gêmea ao beijo que arde. Em chamas, do lado cego do muro há, avante, a juvenília.
Num lance mínimo a bituca rolou no ar, feito uma breve música.
fao/06-07
®
posted by FAO CARREIRA 12:52 PM
![]()
fao/08
ANTEVEJO
Dentro da mesma idade
e você fechou e abriu
os olhos nesse momento
Entre o som do passarinho
a solidão anil
entre o travesseiro a voz
Antevejo
as lãminas finas da chuva
o desbunde da lua
Onde só brota
o reboque em cal
Cavalos num canteiro de jardim
deflorando
gramas plantas crisântemos brancos volutas redemoinhos terrestres
e minhas vaidades
pau duro dessa mesma
árvore
dentro dessa sua idade
fao/08
®
posted by FAO CARREIRA 12:33 PM
![]()
louva-deus - fao/08
AEROSOL
depois vinha um anjo feito de caneta bic e falava...
- pernas entrelaçadas, estrelas alinhadas.
espera o pai, a mãe nunca sai
o mundo da voltas gigantescas nos dias
e por si alcança o gesto, aquele inteiro, a cantar encima das mudas das árvores,
a barriga cheia de frutas, sementes
a pele na minha, língua em saliva,
e depois decantar .
pega e sublinha
sublime é a linha
suas
omoplatas
do varal se pode ver algodão, manchando o céu, secura do sabão.
se confunde a nuvem, nada mais simples, nada mais pesado, nada de gastar
dentes, em mesas de recados.
Agora é livro inteiro, minha vida inteira.
sem fresta
Outubro era mês de medo, porque o medo vivia pulando dos poros
louva-deuses
beges verdes cinzentos
foram-se, ficaram as pintas na pele
tudo é possível
e tudo pode ser estrago
o apego
a sensibilidade orna
nessa borda
fao/08
posted by FAO CARREIRA 11:06 PM
![]()
menina cebola - fao/94
VALORAR
o que não se colide
a cada casca, pétala
camada
mais uma
lágrima
flor que nasce debaixo da terra
de ponta cabeça
tempera
fao/08
posted by FAO CARREIRA 9:19 PM
![]()
o silencio - fao/08
O silêncio
A explosão muscular contra o
o silêncio das penas no ar
o silêncio é uma cor
é uma mulher descalça
papel voando na praça
lua amarela
usina nuclear
o grito da flor em beleza ao que sugere
quase desesperada
a se notar
um sorriso quase
sem graça
o espírito do sabonete
um cheiro obrigado a tudo e a nada
fao/08
posted by FAO CARREIRA 2:36 PM
![]()
navio de tijolos - fao/08
DESSIPAR
embrulhando pães
embrulhando calor
não a canto que não cheque
espelho que não dobre
mas eu canto baixinho
que é pra você não assustar
você deve acreditar no que eu digo
e eu te devo o gesto olímpico
quando não se sabe mais o que é nuvem, milton
ou montanha
carvão riscado, um limoeiro, dessipar
cheiro de deus, um garfo sujo exemplar
sua xícara, seu sangue de rainha, sua testa fria.
Coloco minha camiseta
branca
e sem nenhum café eu subo
eu marinheiro só
mas tenho um cravo bem guardado
e uma flor de plástico
se for
o caso
fao/08
posted by FAO CARREIRA 3:35 PM
![]()
a caixa de luz deitada e o seu umbigo a espera do batom - fao/08
Pequena carta ao despropósito
Botucatu e os gárgulas lá no ar frio
essas letras negras sobre o papel pálido
de pão
só foi migalha, gralhas
de van Gogh
E todo azul, púrpura e oceânico bolorento do céu naquela esquina
cheia de um quebranto
sem luz
que me jogou longe
mas dentro do espírito a face infinda
o que lustrou seus olhos
Satie trama pequenos ungüentos
No vento mais rápido de agosto
na distancia de um hálito
os dedos longos feito um rio
encosto minha barba ao despropósito
suspensão da mão
em par
fao/08
posted by FAO CARREIRA 11:29 PM
![]()
quarto de hotel - fao/08
PARTE UM DE DOIS
Aves, alhures, serafins
Que pouse aos ombros
Sobre a mesa o maço, o lenço
Bijuterias, nós de dedos
Assento o copo, quisera d`água, sobre a mesa
milhares de marcas sobre essa, mesma
As mãos medem veias, tesas, esse mapa
difundo, difuso, flui em metáforas morenas
Cego ilustro
Esse trovão calmo e longínquo
Desejo da dispersão
( e se eu me apaixonar e todas as pétalas ferruginosas e
cheias de um prazer infantil me tocarem e no mastigar
essas soltarem sendas doces, de um brilho escuso, e fazer
aquecer a tempestade do meu sangue
muito sereno e elétrico
ao mesmo tempo
do desejo dos beijos? )
Parte dois de dois
Porque é esse estigma, essa coloração, esse ímpeto
absurdo em saber razão
se pondera
joga seu joelho na leva, ressente e ainda presente
observa
o lábio ruivo, os pelos tantos e do momento
a qualquer face, o enquanto
qualquer palavra é
da boca, solta, não volta mais
pra esse esqueleto, lasso, que não sabe
o vôo
fao/08
posted by FAO CARREIRA 7:42 PM
![]()
fluxo - fao/08
![]()
posted by FAO CARREIRA 1:50 PM
![]()
Brodowski - fao/08
BOTAS GASTAS
Brodowski
Uma árvore no frio
Quina
de cama, Portinari não riria da minha cara
dos dedos longos do cabelo
- nem do meu tosco desenho que risco e não se encerra
sobre a cera do mundo
- Sou um moço triste
Quina de quarto no canto floresce branca
Águeda presente, foi Pedro quem velou suas dores noites
Dobradura no tempo, luz que anda
Tia avó e sem abraços dissolutos
Sem fé eu, apenas as botas
seja essa a minha, ser de encontro seu
resposta
- te peço a mão
e é só você estalar os olhos
- fogo de algum doce despido
a propósito e a fieldade
tiro minhas botas
gastas
em exílio
fao/08
posted by FAO CARREIRA 10:48 PM
![]()
eterno - fao/08
Segundos
Eu ando com uma âncora
no meu pé direito
e o céu me descasca
E meu lírico
é uma afta na lapela, um ardil
entenda, meu amor – em chamas
Aborrecida ignata véspera
néspera é sua tez
efêmera e movediça as manhãs
e suas gentilezas
apartem
o que bebi da boca e saliva
e das lubrificações tantas seus cristais
encostei minha alma em ti - vezes revezes
pra mastigada dos dias em face
como um cavalo tropeçado sobre mesas plásticas
depois
em saber que a tarde parada é uma prece
e a noite um fermento em respeito a nada
sendo que frágil é
seguimos
segundos
fao/08
posted by FAO CARREIRA 11:25 AM
| textos registrados |